quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Deixando o Pago - Vitor Ramil (poema de João da Cunha Vargas)

Alcei a perna no pingo
E saí sem rumo certo
Olhei o pampa deserto
E o céu fincado no chão
Troquei as rédeas de mão
Mudei o pala de braço
E vi a lua no espaço
Clareando todo o rincão

E a trotezito no mais
Fui aumentando a distância
Deixar o rancho da infância
Coberto pela neblina
Nunca pensei que minha sina
Fosse andar longe do pago
E trago na boca o amargo
Dum doce beijo de china

Sempre gostei da morena
É a minha cor predileta
Da carreira em cancha reta
Dum truco numa carona
Dum churrasco de mamona
Na sombra do arvoredo
Onde se oculta o segredo
Num teclado de cordeona

Cruzo a última cancela
Do campo pro corredor
E sinto um perfume de flor
Que brotou na primavera.
À noite, linda que era,
Banhada pelo luar
Tive ganas de chorar
Ao ver meu rancho tapera

Como é linda a liberdade
Sobre o lombo do cavalo
E ouvir o canto do galo
Anunciando a madrugada
Dormir na beira da estrada
Num sono largo e sereno
E ver que o mundo é pequeno
E que a vida não vale nada

O pingo tranqueava largo
Na direção de um bolicho
Onde se ouvia o cochicho
De uma cordeona acordada
Era linda a madrugada
A estrela d'alva saía
No rastro das três marias
Na volta grande da estrada

Era um baile, um casamento
Quem sabe algum batizado
Eu não era convidado
Mas tava ali de cruzada
Bolicho em beira de estrada
Sempre tem um índio vago
Cachaça pra tomar um trago
Carpeta pra uma carteada

Falam muito no destino
Até nem sei se acredito
Eu fui criado solito
Mas sempre bem prevenido
Índio do queixo torcido
Que se amansou na experiência
Eu vou voltar pra querência
Lugar onde fui parido

domingo, 11 de setembro de 2016

Por medo

Por medo de se machucar novamente
Entro em relações superficiais
Por medo de se tornar dependente
Entrego-me às relações descartáveis
Por medo de ficar inerte

Lanço-me à viagens terminais

Para frente

Quando estiver difícil
Peça forças para aguentar mais um dia
Quando acordar e ainda estiver difícil
Peça forças por outro
Se ainda continuar difícil seguir em frente
Peça para ter forças sempre por mais um amanhecer
Quantas vezes forem necessárias
O caminho nem sempre será fácil
E aquele que é sinuoso
Será aquele que nos fará mais forte
Seguir em frente não é uma opção

É uma real obrigação

segunda-feira, 11 de julho de 2016

What Is And What Should Never Be - Led Zeppelin


O Que É E O Que Nunca Deveria Ser
E se eu te disser amanhã
Pegue minha mão, criança, venha comigo
É para um castelo onde te levarei
Onde o que será, eles dizem que será
Pegue o vento, nos veja girar, navegue longe
Vá embora hoje, suba em direção ao céu
Mas o vento não soprará
Você realmente não deveria ir, isso só irá mostrar
Que você será minha, se tivermos tempo
E se você me disser amanhã
Oh, que divertido seria
Então o que há para nos parar, garota linda
Mas o que é e o que nunca deveria ser
Pegue o vento, nos veja girar, navegue longe
Vá embora hoje, suba em direção ao céu
Mas o vento não soprará
Você realmente não deveria ir, isso só irá mostrar
Que você será minha, se tivermos tempo
Portanto se você acorda com o nascer do sol
E todos os seus sonhos ainda são como novos
E felicidade é o que você mais precisa
Garota, a resposta está em você
Pegue o vento, nos veja girar, navegue longe
Vá embora hoje, suba em direção ao céu
Mas o vento não soprará
Você realmente não deveria ir, isso só irá mostrar
Que você será minha, se tivermos tempo
Oh o vento não soprará e nós realmente não deveríamos ir
E isso só irá mostrar
Pegue o vento, vamos vê-lo girar
Iremos navegar, garotinha
Todos que eu conheço parecem me conhecer bem
Mas eles nunca vão saber que eu me mexo como o inferno

domingo, 3 de julho de 2016

If I Had A Heart – Fever Ray

Se eu tivesse um coração


Isto nunca vai terminar
Porque eu quero mais
Mais, me dá mais, me dá mais


Isto nunca vai terminar
Porque eu quero mais
Mais, me dá mais, me dá mais


Se eu tivesse um coração eu poderia te amar
Se eu tivesse uma voz, eu cantaria
Após a noite, quando eu acordar
Vou ver o que o amanhã traz


Se eu tivesse uma voz, eu cantaria


Pés suspensos para fora da janela
Será que eles nunca vão chegar ao chão?
Mais, me dá mais, me dá mais


Esmagado e preenchido com todos que encontrei
Debaixo e lá dentro
Só para vir ao redor
Mais, me dá mais, me dá mais



Se eu tivesse uma voz, eu cantaria

quinta-feira, 30 de junho de 2016

CRIATURA!

Sou uma criatura da noite. Das trevas. Tenho a vida que não quis. Tenho que tentar vencer e conseguir um dia a mais ser feliz. Todo por do sol saio pra ferir alguém e acabo também me machucando.
As feridas que levo no corpo, me lembram da época que vivia na luz. Como era ingênuo. O corpo e a alma sem cicatrizes.
Hoje sou sinônimo de destruição. Na música sou dissonância. Atrapalho a harmonia que todos constroem. Quando vejo a luz, a claridade me cega.
Não sei se é porque não estou  acostumado com a claridade. Ou as lágrimas que enchem meus olhos ofuscam minha visão. Apenas sei que vivo de uma maneira que nunca quis.

A luz se apagou. Um dia posso tentar de novo chegar nela. E minhas cicatrizes me lembrarão que não devo ser ingênuo. Jamais poderei ficar vislumbrado novamente com a luz, ainda mais quando esta me prometer sempre me iluminar.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

NA ESCURIDÃO DO MEU OLHAR

Sol, frio, fome e desespero há
Na escuridão do meu olhar
Chuva, raios e trovões surgem
Passam-se horas de pesar
Quase a meia noite fico triste
Um mundo inteiro há imaginar
  
Sempre sem destino, qualquer caminho me serve
Um dia tive que chorar
Lágrimas caiam no chão, na cama
Sem outra opção, ao não ser uma vida o trilhar
Mas Encharcado de medo e de desgoto
Um mundo inteiro tive que enfrentar
  
Sorrio com meu rosto
Não tenho motivos em meu coração
A todo do dia há uma vontade de chorar
Nem mais sei o porque que tudo isto está

Na escuridão do meu olhar

RISOS SEM LÁGRIMAS

Queria que o mundo fosse justo.
Que a felicidade fosse duradoura.
Que para sempre fosse para sempre.
Queria que a primavera fosse eterna.
Que o riso perpétuo.
Que a triste erradicada.
Mas não a vida é injusta.
A felicidade momentânea.
E para sempre é curto.
A primavera é apenas uma estação.
O riso um instante.
E a tristeza uma realidade.
Não podemos saber o que é justiça sem injustiça.
Felicidade sem infelicidade.
Para sempre sem nunca.
Risos sem lágrimas.
Primavera sem inverno.

Um depende do outro para existir.