Sou uma criatura da noite. Das trevas.
Tenho a vida que não quis. Tenho que tentar vencer e conseguir um dia a mais
ser feliz. Todo por do sol saio pra ferir alguém e acabo também me machucando.
As feridas que levo no corpo, me lembram
da época que vivia na luz. Como era ingênuo. O corpo e a alma sem cicatrizes.
Hoje sou sinônimo de destruição. Na música
sou dissonância. Atrapalho a harmonia que todos constroem. Quando vejo a luz, a
claridade me cega.
Não sei se é porque não estou acostumado com a claridade. Ou as lágrimas
que enchem meus olhos ofuscam minha visão. Apenas sei que vivo de uma maneira
que nunca quis.
A luz se apagou. Um dia posso tentar de
novo chegar nela. E minhas cicatrizes me lembrarão que não devo ser ingênuo.
Jamais poderei ficar vislumbrado novamente com a luz, ainda mais quando esta me
prometer sempre me iluminar.